No outro dia, saí do escritório, passei na padaria para comprar cigarro e avisar Dalila que já estaria em casa. Nesse horário, Babi iria para a faculdade. O estabelecimento já estava fechando, seguí rumo ao meu prédio e Dalila veio logo atrás.  Chegando em casa, abrí a porta e ouví gemidos no quarto. Fiz sinal para que Dalila ficasse em silêncio e fui espreitando, seguindo o barulho. A porta estava encostada, com uma fresta, que me possibilitou identificar Babi, nua, com Lorí. Neste momento, a campainha toca. O cearense se desgruda da minha lolita, me escondo no closed. A porta se abre, ouço um disparo. Dois, três, quatro, cinco tiros. Lori implora pela vida. Mais três estampidos. Mais um e mais um corpo tombando. Ouço o choro contido de Babi, no quarto. Ouço Dalila agonizante na porta. Espero longos minutos no closed. Não ouço mais Dalila. Mas sigo ouvindo o choro contido de Babi no quarto. Saio. O corpo do porteiro, nu, estirado no corredor. Na sala, o motoboy, namorado de Dalila, com a arma na mão e um buraco na cabeça. Na porta, Dalila estirada. Fiquei atônito. Sem reação. Desviei dos corpos e do sangue e voltei ao quarto, onde Babi estava encolhida num canto ao lado da cama, em posição fetal, com o choro contido. Nua. Relembrei a cena que presenciei ao entrar no apartamento. Voltei à sala, tirei um lenço do bolso, peguei a arma da mão do motoboy, voltei ao quarto e terminei com a munição com dois tiros na cabeça de Babi. Recoloquei a arma no lugar. E saí. Na portaria, vazia, troquei as fitas do circuito de segurança e levei as que continham minhas imagens. Chegando em casa, Lia já me esperava. Como se nada tivesse ocorrido, fui dormir. Na manchete de um jornal popular do dia seguinte, o retrato do crime: "Motoboy fica fora de suruba e mata casal de amantes da namorada".

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